Espaço Rock: Tem Gente Fazendo Rock

Espaço Rock: Tem Gente Fazendo Rock

Coyotes

Logo que recebi o convite do Júlio, liguei pro meu bom amigo e companheiro de todos os shows,

João Delcolli, e mandei: “man, vamos ver o show de uns brothers?”.

Ele aceitou quase que sem questionar, afinal, nada melhor que um bom show pra animar uma quinta-feira monótona, eu não tinha aula mesmo, então bora.

Durante o trajeto, entre outros assuntos, ele perguntou:

“É Rock dessa vez?” (não conhecia a banda).

Acenei que sim com a cabeça. Então me calei e pensei na pergunta do João.

Poxa, eu adoro rock, sempre foi meu estilo favorito e já fazia um tempão que não assistíamos a um show de rock. Nacional então, nem se fale. Um excelente Samba de um amigo da faculdade, ver os meninos do Capela

com aquela MPB/Folk moderna e linda deles, mas nada de rock. O que rolou? Cadê o tal do Rock? Continuei calado, matutando.

Chegamos ao Da Leoni por volta das 19h00min porque paramos pra comer um salgado e tomar um chopp em dobro (benefícios por sair numa quinta-feira) e fomos direto pro camarim onde as duas bandas que tocariam aquela noite (Coyotes e Moondogs) estavam se preparando.

Sentamos e começou aquele papo sobre música e trabalhos, rapaziada da melhor qualidade, papo agradabilíssimo, diga-se de passagem.

Os primeiros a se apresentar seriam os Moondogs.

Eu não conhecia a banda, então não sabia ao certo o que esperar.

E foi subir pra ver os caras mandarem um set maneiraço, que misturava alguns covers com músicas próprias.

Logo quando eles tocaram a primeira autoral, If You Do, You Do, eu já estava seguro e sabia que o resto seria bom. Eu nem tinha visto a banda do meu amigo ainda, mas já estava completamente feliz por ter saído de casa.

Depois de alguns covers, tocaram Black and White Woman, outra composição excelente e que conta com o pai do vocalista, o grande Moacyr Franco, estrelando seu clipe, super bacana por sinal. E foi assim, em alta, do começo ao fim do show. Ah, e não bastasse a ótima atmosfera criada pelo blues-rock enérgico da banda, eles ainda mandaram um cover tão bem executado de Roxanne do Police que por si só já valeria o role. Banda boa demais, vá atrás, tem tudo na internet. Moondogs.

Chegou a vez de finalmente ver os Coyotes ao vivo. E logo nos primeiros acordes a primeira impressão que se tem é que os caras são maiores. Maiores que o lugar, maiores que suas personalidades simples e gentis, maiores do que aquela quinta-feira. É uma banda gigante, daquelas que você olha e vê o futuro. A coisa é tão séria que o som te remete a nomes como Jose Pasillas e John Frusciante. A dinâmica com que o baixista Felipe Saraiva imprime as músicas é absolutamente ímpar, tudo perfeitamente colocado. O show beirou o surreal, mereciam um estádio cheio. As musicas da banda, de arranjos complexos, funcionam bem ao vivo e mesmo o Julio não cumprindo a promessa de me dedicar a música ‘Viver Em Paz’ caso eu emprestasse meu pedal de afinação, não tinha como ficar triste, os caras são realmente do caralho. Só da pra se arrepender de nunca ter ido antes.

Pra quem não conhece e gosta de rock nacional, dose dupla de dicas boas. Faça o favor a si mesmo e ouça o EP do Coyotes.

(começa por Viver em Paz, passa obrigatoriamente por Gosto de Fim, porque o trabalho desses caras merece atenção). E eu pensando que eles não iriam conseguir mais me impressionar. Shows fodas, quinta-feira foda.

No fim, meu amigo João precisava ir, começava num trabalho novo na sexta.

Eu acabei encontrando a Bebiana e fiquei um pouco mais por lá…

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Estuda música desde os 13 anos, desenvolve pesquisa na área da música independente , produtor de bandas de diversos estilos e compositor de trilhas sonoras.